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13/07/2017 16h20 - Atualizado em 13/07/2017 17h24

Bolsonaro diz em MS que sem-terra deve ser recebido a bala

Midiamax


Entre 300 e 350 pessoas estiveram na noite desta quarta-feira (12) no aeroporto internacional de Campo Grande, para ver o deputado federal Jair Bolsonaro, do PSC, provável candidato à presidência da República, ano que vem. Efetivo de 45 policiais militares e ao menos quatro viaturas do trânsito garantiram a segurança do parlamentar, que nesta quinta-feira (13) participa de evento na cidade de Nioaque.


Ovacionado, chamado de mito, salvador da pátria, o parlamentar repetiu o conteúdo dos recentes discursos que têm feito pelo Brasil: policial deve matar vagabundo, sem-terra que ocupar fazendas deve ser recebido a bala, toda a família deve possuir arma de fogo e ele acrescentou ainda que o “maior pilantra do Brasil”, o ex-presidente Lula, na interpretação dele, foi, enfim, condenado pela Justiça.

 

Bolsonaro chegou no aeroporto por volta das 21h30 minutos, num avião comercial. Foi recepcionado pelo deputado estadual, o coronel David, também do PSC. Ele descumpriu o combinado com sua assessoria, a de que atenderia a imprensa no saguão do aeroporto, e logo foi em direção às pessoas que o aguardavam.

 

Dali, seguiu por uns 30 metros, ainda no pátio do aeroporto, subiu na carroceria de uma caminhonete e discursou por meia hora aos eufóricos simpatizantes. Logo que começou a falar comentou a decisão do juiz federal Sérgio Moro que, nesta quarta, anunciou a sentença contra o ex-presidente, nove anos e nove meses de prisão. 

 

Lula, que vai recorrer e, enquanto não houver definição da Justiça de segundo grau, fica em liberdade, foi acusado de ganhar um apartamento tríplex, em Guarujá (SP), de uma empreiteira prestadora de serviço do governo federal.

 

Pela condenação, Bolsonaro chamou de “herói” o magistrado Sérgio Moro. “Ele tem dado esperança a nós. Chega de demagogia, precisamos de ordem e progresso, hierarquia e disciplina”, disse o parlamentar. “Um, dois, três, quatro, cinco mil, Bolsonaro presidente do Brasil. Mito, Mito, Mito!!!”, bradavam os cerca de 300 a 350 seguidores do deputado, segundo organizadores da vinda dele a Mato Grosso do Sul.

 

Bolsonaro conquistou mais aplausos e elogios logo que contou que entre os anos de 1979 a 1981, integrava o Exército aqui em Mato Grosso do Sul.

 

“Tudo começa com segurança. O MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) deve ser esperado com fuzil e cartuchos 762”, discursou Bolsonaro, numa clara evidência de ser contrário às ocupações de terra. De novo, o parlamentar foi intensamente aplaudido por uma plateia jovem e composta em sua maioria por homens.

 

Em MS, há dezenas de processos judiciais envolvendo disputas territoriais tanto por sem-terra integrantes de entidades ligadas à causa, como MST, e também por comunidades indígenas.

 

Dizendo-se cristão, conservador e com “Deus no coração”, Bolsonaro defendeu o uso da arma de fogo. Para que todos possam se “defender”, disse o deputado, que interrompeu o discurso para ouvir outras palavras de ordem de seus simpatizantes. “A nossa bandeira jamais será vermelha”.

 

Jair Bolsonaro arrancou gritos ainda por dizer que vai votar pelas investigações contra o presidente Michel Temer: “não vamos aceitar corruptos no poder até as últimas consequências”.

 

Depois disso, o parlamentar comentou que num recente levantamento eleitoral, ele apareceu como líder na preferência pela disputa à presidência, no Rio de Janeiro. “Olha, se alguém estiver aí do Tribunal Eleitoral, não estou dizendo que sou candidato”, disse o deputado, querendo justificar que não fazia campanha fora do período, atitude proibida por lei.

 

No fim do discurso, Bolsonaro disse que estava com saudades da guavira [fruta típica de MS], churrascos com mandioca e de tomar tereré, reforçando a ideia de que conhece a região.